A ORDEM

Cosmos é a palavra com a qual os gregos clássicos indicavam o que, hoje, designamos universo. A modernidade, com seu espírito juvenil, sua superficialidade e seu descaso da intuição, já não consegue perceber certas sutilezas e, alegremente, vai “modernizando”, pensando que apenas troca palavras. Entretanto, a palavra universo privilegia o tamanho e a grandeza do mundo, enquanto cosmos destaca o seu caráter organizado: é cosmos por tratar-se de um universo organizado. E veja-se que o grego clássico apenas podia intuir e deduzir que a realidade se estruturava segundo os ditames das matemáticas. Hoje, isso está cientificamente provado nas leituras que telescópios fazem de galáxias situadas a dezenas de anos-luz de distância. Caso o tecido universal não fosse precisamente organizado, tais leituras seriam impossíveis. Essa diferença entre cosmos e universo expressa a diferença dos “espíritos do tempo” vigente nas duas ocasiões. O espírito grego colocava-se altivo e determinado diante do desafio de entender a ordem universal que tudo regia. Com os recursos que detinha, criou um panteão de deuses para designar as forças cósmicas identificadas e, assim, especular como elas interagiam e determinavam o curso das coisas e o destino dos homens. O homem moderno, hipnotizado por uma ciência da matéria e esquecido da sua dependência para com os deuses, limita-se a contemplar o cotidiano e relega a inquisição sobre o universo a especialistas de astrofísica. O homem comum raramente olha para as estrelas, o grego comungava diariamente com os deuses. Aqui, neste trabalho, tentaremos deixar que o espírito grego clássico inquisidor da ordem cósmica inunde-nos e, retomando a questão grega original sobre a ordem do universo e preservando as balizas das ciências modernas, diga-nos qual visão de mundo essa intimidade com os deuses permite descortinar. Limitar-me-ei a colocar a tese de partida que afirma que o universo possui ordem e tentarei, a partir dela, desdobrar possíveis sentenças derivadas que sejam, lógica, geométrica e matematicamente, sancionadas. No fechamento, tentarei situar a concepção, no âmbito das filosofias pós-kantianas, com a intenção expressa de, liminarmente, evitar que seja rotulada de realista ou idealista.

Ler artigo completo                                                                                       Rubi Rodrigues

Deixe um comentário

This website stores cookies on your computer. These cookies are used to provide a more personalized experience and to track your whereabouts around our website in compliance with the European General Data Protection Regulation. If you decide to to opt-out of any future tracking, a cookie will be setup in your browser to remember this choice for one year.

Accept or Deny